Amor-Próprio

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O que vem a ser o amor-próprio?

Se perguntarmos a várias pessoas, a maioria irá responder que sente amor por si mesma, que tem uma boa quantia de amor-próprio.

Mas em que nível isso é verdadeiramente real? No nível da superficialidade certamente é, mas se analisarmos um pouco mais a fundo iremos perceber que temos inúmeras atitudes que demonstram falta de amor por nós mesmos.

Então vamos voltar um pouco e falar sobre amor de uma forma genérica. Quando uma pessoa ama outra podemos identificar algumas expressões desse amor, como respeito, atenção, cuidado, carinho, gentileza. Não é assim?

Então agora eu te convido a se perguntar o quanto você se respeita. Vamos refletir sobre isso?

Quantas vezes você anula um desejo seu para estar adequado a regras ou para agradar alguém? Via de regra, isso não poderia ser um desrespeito consigo mesmo? Não estou dizendo aqui para darmos vazão a todo e qualquer tipo de desejo, isso pode ser perigoso. Mas estou falando de desejos simples e posso dar um exemplo: suponhamos que tive uma semana cheia, estou super cansada e meu corpo precisa muito de repouso e minha mente de silêncio. Mas aí no fim do dia um amigo me liga e me pede um favor que irá tomar as poucas horas de descanso que eu tenho. Contudo, tenho uma séria dificuldade em dizer não para esse amigo, afinal, e se ele pensar que eu sou uma pessoa que não é solidária? E se ele ficar chateado comigo? E se? E se? Aí vou lá e faço. Desrespeito meu corpo, meu desejo sincero e minha necessidade de repouso. Digo não para mim mesma por incapacidade de simplesmente dizer ao meu amigo “Querido, adoraria te ajudar, mas hoje eu não posso. Sinto muito.” Esse tipo de atitude costuma funcionar automaticamente conosco, nem paramos para nos perguntar sinceramente qual o nosso real desejo. O medo do julgamento, o medo de não ser mais amado nos faz tomar atitudes que não condizem com o nosso desejo real. Nesses momentos eu te digo: nós não estamos nos amando.

Algumas outras perguntas podemos nos fazer para investigar o quanto nos amamos. Quanta atenção damos a nós mesmos, às nossas necessidades? Sabe aquelas procrastinações que estamos arrastando há algum tempo e que, se separássemos um tempinho para resolvê-las iria nos trazer mais paz, menos tensão, mais qualidade de vida? Quando não damos atenção à resolução de nossos problemas estamos sendo desatentos conosco mesmos. Isso também é um indício de não amor-próprio.

E como cuidar de nós mesmos amorosamente? Quando  você tem um filho você não se preocupa em dar-lhe a melhor educação, a melhor alimentação, ampliar suas oportunidades? Quanto disso você também dá a si mesmo? Você cuida do seu corpo? Do seu bem-estar? Escolhe as melhores coisas pra você ou sempre que é para se dar algo você economiza (não estou falando sobre dinheiro)?

Você é gentil consigo mesmo? Ou acaba se colocando em situações sem analisar as consequências do futuro, que vão acabar te esgotando mais à frente? Você é gentil consigo mesmo quando está na sua hora de ir embora de uma festa e alguém insiste pra você ficar mais um pouquinho? Quantas vezes você se anula em determinado grupo?

E agora eu vou além… Quantas críticas você faz a si mesmo? Quando se olha no espelho e não gosta do que vê, quais adjetivos você se dá? Quando você erra, você se acolhe ou se pune?

Há um grande mas verdadeiro clichê que diz que não é possível amar o outro sem amar a si mesmo antes. Percebe que quando você ama o outro se anulando dessa forma, desrespeitando a si próprio, você não está dando sua verdade ao outro? Vale realmente à pena pra você,  que dá, e para o outro, que recebe?

Quando temos amor-próprio, é fácil amar o outro, não precisa esforço. Porque se nós nos compreendemos, conseguimos compreender o outro. Se nós nos cuidamos, sabemos dar nosso cuidado ao outro. Se nos respeitamos, saberemos ver o limite do outro e honrar isso.

Deixo-os aqui com essas reflexões. E os convido a se observarem por uma semana e compartilharem aqui comigo suas descobertas sobre em que situações você não se ama. Não precisa ter vergonha, todos nós fazemos “maldade” conosco em maior ou menor grau. Ao tomar consciência, algo já está sendo transformado em você. Quando você compartilha com o outro algo íntimo e verdadeiro como um fato assim, você está praticando o acolhimento de uma característica sua. E somente com a aceitação e acolhimento das nossas sombras poderemos transformá-las. Sim, é um passo corajoso.

Um grande e iluminado beijo.

Danielle Carneiro

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