Traição

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Uma cliente me perguntou: “Por que sempre atraio relacionamentos de parceiros que traem? Há algo de errado em mim? ”
A resposta é: Mais ou menos. Você não é culpado(a) pela atitude do outro, porém foi você mesmo que atraiu aquela situação para a sua vida. Portanto, você é responsável sim por aquele acontecimento. Por mais que seja automático colocar o outro como algoz e você como vítima, é no mínimo interessante você se questionar porque essa situação tem sido recorrente e imaginar que há algo em você que chama por isso. Ou o mundo todo estaria errado e você certo(a)?

Cada situação que acontece em sua vida está a serviço de algo que está contido no seu interior. Isso pode ser um conteúdo inconsciente, ou seja, você não faz a mínima ideia de que aquilo exista em você. Mas ele está a serviço de despertar um atributo divino em você e chegar até esse resultado é um longo caminho a ser percorrido.

Esse conteúdo geralmente é uma dor que foi vivenciada na infância e que não foi sentida plenamente e, então, a emoção foi “congelada” e armazenada no seu inconsciente. Uma vez registrado esse “trauma”, ele é uma informação (onda) no seu campo que vibra (emite ondas eletromagnéticas) atraindo situações que irão despertar aquela dor, pois só assim você terá que lidar com ela mais cedo ou mais tarde, ou seja, você terá que amadurecer, que evoluir.  E assim você atrai repetidamente aquela situação até que você resolva encará-la com a sua consciência. Essa é a perfeição do Universo!

Há muitas dores que podem ser despertas quando se passa por uma traição. Alguns exemplos são: a dor de não confiar, a dor de ser machucada por alguém que ama, a dor de não ser importante, a dor de se sentir inferior a alguém, etc. E todas elas, em algum nível, se referem à dor de não ser amado.

Ao viver plenamente a dor de não confiar no outro, você está, na verdade, entrando em contato com a dor primordial que é de não confiar em você mesmo. E só depois de esvaziar tudo a esse respeito que você encontrará a verdadeira confiança que nasce do seu Eu real, e esse é um atributo divino. Quando se chega nesse ponto, as situações de traição não serão mais atraídas em sua vida.

E quem comete a traição? Por que faz isso?

Existem inúmeras razões para isso, algumas superficiais e outras mais profundas. As superficiais podem dizer sobre a dificuldade de se posicionar em um relacionamento, seja porque está insatisfeito com a vida sexual ou com algum assunto de qualquer outra natureza; pode também se referir à covardia de sair da zona de conforto de um relacionamento estável para correr o risco de ficar sozinho e então ir em busca de um relacionamento mais satisfatório; bem como pode ser simplesmente por medo de ficar sozinho. Como profundas, podemos encontrar causas como vingança, ódio e, principalmente, medo de amar. Pois amar nos torna vulneráveis e, quando se tem a real oportunidade de amar profundamente, trair pode ser uma fuga para não se aprofundar em uma relação (e correr o risco de amar e ser vulnerável). Trair também pode ser uma reação a uma cisão profunda entre amor e dor, quando alguém foi muito machucado por alguém que amou e então essa pessoa relaciona toda experiência amorosa àquele resultado, portanto foge, mas sem saber de tudo que está acontecendo internamente. Esses são alguns exemplos, mas cada caso é um caso. Existem inúmeras causas para esse distúrbio.

Em outras instâncias, quando uma pessoa trai, ela está traindo a si mesma. Quando ela não se aprofunda numa relação é de se aprofundar em si que ela está fugindo, é se relacionar consigo mesmo de maneira mais verdadeira, profunda e honesta que ela tanto evita.

Se você passou por uma situação dolorosa de traição, procure a ajuda de um terapeuta para que você possa tornar consciente todas as questões do seu interior que cercam esse episódio e então estar livre para seguir a vida sem repetir o padrão de situações dolorosas. Para você também que tem a dificuldade em ser fiel, a terapia pode ajudar a encontrar as causas que te levam a isso e então você poderá desarticular a estrutura de fuga e vivenciar uma relação profunda, madura e plena. Além disso, não irá mais plantar no seu jardim uma coleção de machucados que deixou em outras pessoas.

Terapia é vida!

Namastê.

O outro como espelho

espelho

Nas primeiras vezes que ouvi que o outro é reflexo do que somos, demorei a aceitar. Como poderia eu imaginar que tudo aquilo que acho feio, que rejeito, que julgo e reclamo do outro poderia ser meu? Isso é um fardo muito pesado pra carregar. Não, isso não poderia ser verdade.

Mas então fui desafiada a me investigar e tirar minhas próprias conclusões. E tive muitas oportunidades de fazer isso e continuo tendo, claro. Encontrar aquilo que detestamos no outro dentro de nós é um ato de muita coragem. É difícil admitir até para nós mesmos que aquele defeito nós também temos. A ação imediata é a de negação.

Mas como isso pode ser verdade? Citemos um exemplo. Se acho uma pessoa egoísta, quer dizer que sou egoísta? Não dessa forma linear. Sempre cabe uma análise mais profunda. Se eu acho realmente muito feio uma pessoa ser egoísta e tenho aquela característica em mim, é natural que eu faça de tudo para não parecer egoísta. Mas isso não impede que haja um desejo em mim, e esse desejo pode ser consciente ou inconsciente. Por exemplo, se estou com muita fome e compro algo para eu comer, mas sei que meu desejo é comer todo aquele pedaço de comida que comprei. De repente aparece um amigo e me sinto compelida a oferecer um pedaço, pois foi assim que aprendi que devo ser, educado. Se eu ouvir atentamente as vozes dentro de mim, pode ser que exista uma não vontade de oferecer ou de dividir. Ou pode ser que exista. O fato é que, se há o desejo e mesmo assim eu dividi, quer dizer que eu reprimi o meu desejo. Então eu não estou aparentando ser egoísta, mas internamente o desejo que tenho revela algo sobre mim quanto ao valor que dei a essa palavra: egoísmo.

Além disso, existe algo que devemos levar em consideração nessa análise: a carga que aquilo ativa dentro de nós. Se eu tenho aceitação de um defeito meu, ainda citando o exemplo do egoísmo, ou mesmo se eu verdadeiramente não sou egoísta, quando eu perceber que alguém perto de mim está sendo egoísta, isso não vai me incomodar. E também não gerará julgamento. Eu simplesmente olho, percebo e aceito. Se não há carga, eu não tenho necessidade de julgar, aquilo não me incomoda.

Posso também citar um exemplo de uma amiga que precisou de uma análise mais subjetiva. Ela tirou uma dúvida em nosso grupo dizendo: “eu detesto gente caloteira, isso quer dizer que sou caloteira também? Mas eu sempre pago tudo que devo…” Então ela foi questionada sobre o que é ser caloteira, em sua visão. No que ela respondeu que ser caloteira é não honrar com o combinado, é trair. E aí a terapeuta lhe jogou a seguinte pergunta: “quantas vezes você combina algo e não cumpre, quantas vezes você se trai?” E aí imediatamente minha amiga se calou. Ela reconheceu que aquilo era verdade.

Ou seja, desse exemplo podemos perceber que muitas vezes precisamos “descascar” aquele defeito pra saber o cerne do que nos incomoda, ele pode vir disfarçado. E aí sim podemos encontrar aquela característica em nós.

Também é importante dizer que “defeito” é um valor que damos a alguma característica pessoal, que não necessariamente é algo ruim. Assim como pode acontecer o contrário, de termos uma característica que julgamos boa e, no fim das contas, ela não nos faz tão bem. Um exemplo disso é o perfeccionismo, que muita gente julga ser uma excelente qualidade. Acontece que ser perfeccionista pode trazer uma grande carga para quem o é. Pode gerar um grande medo de errar e pode trazer também ansiedade, autopunição, entre outros sentimentos que causam desconforto.

O efeito espelho não reflete só as nossas negatividades, mas também toda luz que somos. Quando reconhecemos no outro características das quais gostamos, como generosidade, amorosidade, prestatividade, desapego, beleza, entre outros, também estamos vendo o que somos.

Portanto, ao olharmos pro outro temos a oportunidade de escolher o que queremos refletir, ou melhor, em que queremos colocar foco. Ontem conheci duas pessoas lindas, que tinham muitas qualidades. Meu encanto foi tanto que mal consegui reparar em algum “problema”. Já estava em gratidão pela oportunidade delas entrarem em minha vida quando me dei conta de que elas eram também o meu espelho. E isso me alegrou ainda mais.

O convite de hoje é para observarmos o que nos incomoda no outro e tentar encontrar aquela característica em nós. E em seguida tentar dizer para si mesmo: “Eu sou <o defeito>.” Repita essa frase várias vezes e perceba o que acontece no corpo, se existe contração ou se é leve. Repita até sentir que seu corpo “ouviu” essa informação.

Namastê!

Danielle Carneiro

Amor-Próprio

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O que vem a ser o amor-próprio?

Se perguntarmos a várias pessoas, a maioria irá responder que sente amor por si mesma, que tem uma boa quantia de amor-próprio.

Mas em que nível isso é verdadeiramente real? No nível da superficialidade certamente é, mas se analisarmos um pouco mais a fundo iremos perceber que temos inúmeras atitudes que demonstram falta de amor por nós mesmos.

Então vamos voltar um pouco e falar sobre amor de uma forma genérica. Quando uma pessoa ama outra podemos identificar algumas expressões desse amor, como respeito, atenção, cuidado, carinho, gentileza. Não é assim?

Então agora eu te convido a se perguntar o quanto você se respeita. Vamos refletir sobre isso?

Quantas vezes você anula um desejo seu para estar adequado a regras ou para agradar alguém? Via de regra, isso não poderia ser um desrespeito consigo mesmo? Não estou dizendo aqui para darmos vazão a todo e qualquer tipo de desejo, isso pode ser perigoso. Mas estou falando de desejos simples e posso dar um exemplo: suponhamos que tive uma semana cheia, estou super cansada e meu corpo precisa muito de repouso e minha mente de silêncio. Mas aí no fim do dia um amigo me liga e me pede um favor que irá tomar as poucas horas de descanso que eu tenho. Contudo, tenho uma séria dificuldade em dizer não para esse amigo, afinal, e se ele pensar que eu sou uma pessoa que não é solidária? E se ele ficar chateado comigo? E se? E se? Aí vou lá e faço. Desrespeito meu corpo, meu desejo sincero e minha necessidade de repouso. Digo não para mim mesma por incapacidade de simplesmente dizer ao meu amigo “Querido, adoraria te ajudar, mas hoje eu não posso. Sinto muito.” Esse tipo de atitude costuma funcionar automaticamente conosco, nem paramos para nos perguntar sinceramente qual o nosso real desejo. O medo do julgamento, o medo de não ser mais amado nos faz tomar atitudes que não condizem com o nosso desejo real. Nesses momentos eu te digo: nós não estamos nos amando.

Algumas outras perguntas podemos nos fazer para investigar o quanto nos amamos. Quanta atenção damos a nós mesmos, às nossas necessidades? Sabe aquelas procrastinações que estamos arrastando há algum tempo e que, se separássemos um tempinho para resolvê-las iria nos trazer mais paz, menos tensão, mais qualidade de vida? Quando não damos atenção à resolução de nossos problemas estamos sendo desatentos conosco mesmos. Isso também é um indício de não amor-próprio.

E como cuidar de nós mesmos amorosamente? Quando  você tem um filho você não se preocupa em dar-lhe a melhor educação, a melhor alimentação, ampliar suas oportunidades? Quanto disso você também dá a si mesmo? Você cuida do seu corpo? Do seu bem-estar? Escolhe as melhores coisas pra você ou sempre que é para se dar algo você economiza (não estou falando sobre dinheiro)?

Você é gentil consigo mesmo? Ou acaba se colocando em situações sem analisar as consequências do futuro, que vão acabar te esgotando mais à frente? Você é gentil consigo mesmo quando está na sua hora de ir embora de uma festa e alguém insiste pra você ficar mais um pouquinho? Quantas vezes você se anula em determinado grupo?

E agora eu vou além… Quantas críticas você faz a si mesmo? Quando se olha no espelho e não gosta do que vê, quais adjetivos você se dá? Quando você erra, você se acolhe ou se pune?

Há um grande mas verdadeiro clichê que diz que não é possível amar o outro sem amar a si mesmo antes. Percebe que quando você ama o outro se anulando dessa forma, desrespeitando a si próprio, você não está dando sua verdade ao outro? Vale realmente à pena pra você,  que dá, e para o outro, que recebe?

Quando temos amor-próprio, é fácil amar o outro, não precisa esforço. Porque se nós nos compreendemos, conseguimos compreender o outro. Se nós nos cuidamos, sabemos dar nosso cuidado ao outro. Se nos respeitamos, saberemos ver o limite do outro e honrar isso.

Deixo-os aqui com essas reflexões. E os convido a se observarem por uma semana e compartilharem aqui comigo suas descobertas sobre em que situações você não se ama. Não precisa ter vergonha, todos nós fazemos “maldade” conosco em maior ou menor grau. Ao tomar consciência, algo já está sendo transformado em você. Quando você compartilha com o outro algo íntimo e verdadeiro como um fato assim, você está praticando o acolhimento de uma característica sua. E somente com a aceitação e acolhimento das nossas sombras poderemos transformá-las. Sim, é um passo corajoso.

Um grande e iluminado beijo.

Danielle Carneiro

Princípio Ativo x Receptivo

yinyang

Também conhecido como masculino e feminino, yin e yang, esses dois princípios regem a nossa vida.

Todos os seres humanos possuem os dois princípios, apenas o seu arranjo, ênfase, grau, proporção e relação um com o outro são diferentes. Um dos maiores desafios do caminho do autoconhecimento é equilibrar essas nossas duas partes.

O princípio feminino ou feminilidade é com frequência erroneamente associado com fraqueza, passividade e inferioridade, enquanto que o princípio masculino ou masculinidade é comumente associado, de forma errada, com força bruta e superioridade.

Nos dias de hoje, vemos muita distorção desses dois princípios nas mulheres independentes. Para ocupar o seu lugar na sociedade, a mulher precisou recorrer muito ao seu princípio ativo e se masculinizou bastante. Agressividade, ação em excesso, objetividade extrema, independência, todas essas características tem sido comumente encontradas nas mulheres e a maioria está perdida, pois também não consegue encontrar um parceiro que se encaixe nesse arranjo. Com o yang no controle, a mulher acaba anulando a masculinidade do seu parceiro na relação ou até mesmo atrai para si homens com o masculino fraco, precisando ficar à frente de tudo, o que também gera um cansaço.

Afinal, o que todos nós queremos? Para se atingir a harmonia na sociedade, nos relacionamentos amorosos, na vida, precisamos buscar esse equilíbrio. O processo geralmente é lento, porque se inicia com a tomada de consciência da distorção dos dois princípios. Até que a pessoa se perceba tomando atitudes desarmônicas, muita água já rolou. São questões delicadas que aparecem nos nossos relacionamentos do dia a dia. É preciso estar atento aos sentimentos, atitudes e pensamentos o tempo todo.

Existem inúmeras ferramentas de autoconhecimento que podem ajudar nesse processo. Duas que conheço e são poderosas são a técnica das polaridades e a técnica do quadrado, da Leslie Temple Thurston. Ao identificar as polaridades de um certo padrão e se tornar consciente das distorções que o percorrem, uma oração é feita e a Graça é que cuidará da transformação do padrão. O imprescindível é confiar e aguardar pela transformação.

Fonte auxiliar: Palestra 169, Pathwork.